Análise: Profissional do Banco de Olhos examina a córnea para que o material possa ser transplantado
O balanço de captações de córneas no
BANCO DE OLHOS de Mogi (BOM), obtidas no ano passado, foi positivo, segundo a entidade, mas ainda há dificuldades nas doações, devido à falta de conscientização dos familiares de que a retirada, por exemplo, não oferece prejuízos estéticos para o doador. Para este ano, a entidade planeja uma série de atividades para o esclarecimento da população.
O presidente da entidade, Mario Júlio de Souza, afirmou que, no ano passado, 200 captações foram realizadas no município, sendo 12 delas na Santa Casa de Mogi das Cruzes e hospitais da região e 188 no Hospital Luzia de Pinho Melo, por meio de uma parceria com o
BANCO DE OLHOS de Sorocaba, no interior de São Paulo.
Desde junho do ano passado, a fila para o transplante de córneas em Mogi das Cruzes está zerada, segundo informações do BOM. Os bons números, de acordo com Souza, mantêm os parâmetros de anos anteriores, porém, ainda há dificuldades na captação.
"A família tem preocupações, principalmente, com a estética do falecido. Mesmo que a pessoa manifeste a intenção de doar em vida, é preciso que os familiares autorizem", explica o presidente do BOM, entidade que atende gratuitamente a população do Alto Tietê.
Para as doações, a entidade mantém um sistema de comunicação 24 horas com os hospitais por meio do qual são avisados da existência de possíveis doadores. Após o comunicado, um profissional capacitado aborda diretamente os responsáveis pelo falecido, como os pais, e explica a doação. Souza revela que, em média, de cada cinco pessoas abordadas, uma autoriza a realização do procedimento. A córnea pode ser retirada até seis horas após o falecimento.
Criada em 30 de junho de 1992, há quase um ano a entidade funciona em sede própria. Além de abordar a família e captar o órgão (córnea ou globo ocular), o BOM é responsável pela distribuição do material captado para a central de transplante e a administração dos receptores na fila de espera. Não há estoques, de acordo com Souza, as córneas coletadas são disponibilizadas para os transplantes.
Projetos
Até março, a campanha da entidade permanece a mesma veiculada no ano passado, com peças publicitárias em branco e preto, que visam alertar a sociedade sobre a importância da doação. Uma nova campanha deve ser iniciada no fim do trimestre e, segundo Souza, deve ser ainda mais contundente.
Para este ano, também está prevista a criação de um curso para capacitação de técnicos para o BOM. O projeto deve ser iniciado em fevereiro. A entidade também pretende intensificar as palestras de conscientização, focando principalmente as escolas. As instituições interessadas em receber os eventos devem entrar em contato pelo telefone 4799-6333 ou pelo site www.bomc.org.br, onde também é possível obter mais informações sobre doações. (K.B.)