Muitas vezes, apesar do indivíduo ter expressado seu desejo de doar suas córneas, isso não acontece em função da negativa da família. Como você imagina que este problema possa ser contornado?
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  Banco de Olhos Mogi das Cruzes
 
Jornal Mogi News
 
Cidade | Vida nova
 
» Publicada em 18|01|09
 
Transplantados recuperam a visão
 
Pacientes da região com doenças que atingem a córnea, a maioria com ceratocone, voltam a enxergar graças ao transplante
 
Marcelo Alvarenga
 
Resultado: Silva recuperou boa parte da visão logo que tirou o tampão
Katia Brito
Da reportagem local

O transplante de córnea tem mudado a vida de muitos mogianos, como o balconista Otoniel Marcena da Silva, de 30 anos. "Se afastasse a mão a dez centímetros do olho, não via nada. Quando andava de carro à noite com meu irmão, era a mesma coisa. Hoje, depois da cirurgia, vejo tudo", emocionou-se Silva, que sofria com o ceratocone. A doença é a que mais atinge a córnea, alterando sua curvatura e podendo causar opacidade.

A moléstia do balconista deu os primeiros sinais quando ele tinha 18 anos. Silva começou a ter dificuldades para enxergar na claridade. Na época, ele não deu muita atenção ao problema, concentrado no olho esquerdo. Há cerca de três anos, o caso se agravou e ele percebeu que não enxergava mais. Recorreu ao posto de saúde e foi encaminhado para um médico particular que o direcionou para o BANCO DE OLHOS de Mogi das Cruzes (BOM).

Em julho do ano passado, ele foi operado e, já ao tirar o tampão, viu muita coisa que não enxergava. O pós-operatório, segundo o BOM, exige o uso de colírios a base de corticoides e antibióticos. O paciente também deve evitar esforço físico por um período de três a seis meses.

Silva contou que o médico ainda o impediu de fazer grandes esforços, como carregar peso. O olho direito do paciente também exige cuidados, mas não deve necessitar de cirurgia. O balconista informou ainda que o médico responsável pelo tratamento deve receitar óculos na próxima consulta.

As transplantadas Alessandra Silva e Andréia Valentim da Silva, ambas com 33 anos e atualmente desempregadas, também sofriam com o ceratocone. Alessandra chegou a apresentar 21 graus de miopia e há sete anos foi diagnosticada a doença na córnea. Após testes com diversas lentes, ela foi encaminhada ao BOM e, em julho, fez o transplante no olho esquerdo. Ela ainda se recupera da operação e planeja voltar a trabalhar em breve.

Para Andréia, o problema agravou-se há quatro anos, quando um médico de uma unidade de saúde em Suzano a encaminhou para o BOM. Ela se inscreveu e foi chamada após dois anos. "Naquela época, não quis fazer a cirurgia porque não desejava parar de trabalhar e também estava com medo", afirmou a transplantada.
Em maio do ano passado, ela foi chamada novamente e operou o olho esquerdo.

Em recuperação, Andréia ainda está com a visão embaçada, mas informou que perto do que via, a melhora foi grande: "Não enxergar bem atrapalha bastante, mesmo que seja para a realização do serviço doméstico. Você sabe onde estão as coisas, mas não sabe se a limpeza foi bem feita ou não. Também trabalhei em uma empresa no setor de montagem e sentia dificuldade com as peças menores". Assim, como Alessandra, ela deve ser operada em breve para correção no olho direito.

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