Pacientes da região com doenças que atingem a córnea, a maioria com ceratocone, voltam a enxergar graças ao transplante
Katia Brito
Da reportagem local
O transplante de córnea tem mudado a vida de muitos mogianos, como o balconista Otoniel Marcena da Silva, de 30 anos. "Se afastasse a mão a dez centímetros do olho, não via nada. Quando andava de carro à noite com meu irmão, era a mesma coisa. Hoje, depois da cirurgia, vejo tudo", emocionou-se Silva, que sofria com o ceratocone. A doença é a que mais atinge a córnea, alterando sua curvatura e podendo causar opacidade.
A moléstia do balconista deu os primeiros sinais quando ele tinha 18 anos. Silva começou a ter dificuldades para enxergar na claridade. Na época, ele não deu muita atenção ao problema, concentrado no olho esquerdo. Há cerca de três anos, o caso se agravou e ele percebeu que não enxergava mais. Recorreu ao posto de saúde e foi encaminhado para um médico particular que o direcionou para o
BANCO DE OLHOS de Mogi das Cruzes (BOM).
Em julho do ano passado, ele foi operado e, já ao tirar o tampão, viu muita coisa que não enxergava. O pós-operatório, segundo o BOM, exige o uso de colírios a base de corticoides e antibióticos. O paciente também deve evitar esforço físico por um período de três a seis meses.
Silva contou que o médico ainda o impediu de fazer grandes esforços, como carregar peso. O olho direito do paciente também exige cuidados, mas não deve necessitar de cirurgia. O balconista informou ainda que o médico responsável pelo tratamento deve receitar óculos na próxima consulta.
As transplantadas Alessandra Silva e Andréia Valentim da Silva, ambas com 33 anos e atualmente desempregadas, também sofriam com o ceratocone. Alessandra chegou a apresentar 21 graus de miopia e há sete anos foi diagnosticada a doença na córnea. Após testes com diversas lentes, ela foi encaminhada ao BOM e, em julho, fez o transplante no olho esquerdo. Ela ainda se recupera da operação e planeja voltar a trabalhar em breve.
Para Andréia, o problema agravou-se há quatro anos, quando um médico de uma unidade de saúde em Suzano a encaminhou para o BOM. Ela se inscreveu e foi chamada após dois anos. "Naquela época, não quis fazer a cirurgia porque não desejava parar de trabalhar e também estava com medo", afirmou a transplantada.
Em maio do ano passado, ela foi chamada novamente e operou o olho esquerdo.
Em recuperação, Andréia ainda está com a visão embaçada, mas informou que perto do que via, a melhora foi grande: "Não enxergar bem atrapalha bastante, mesmo que seja para a realização do serviço doméstico. Você sabe onde estão as coisas, mas não sabe se a limpeza foi bem feita ou não. Também trabalhei em uma empresa no setor de montagem e sentia dificuldade com as peças menores". Assim, como Alessandra, ela deve ser operada em breve para correção no olho direito.